A intoxicação por
digitálicos acaba sendo um evento não raro, devido a proximidade entre a dose
terapêutica e a dose tóxica. Nos idosos acaba sendo ainda mais frequente devido
ao fato da digoxina ter uma meia vida maior, de 4 a 6 dias. As manifestações clínicas
comuns desse quadro são: náuseas, vômitos, alucinações visuais, confusão
mental, vertigens, insônia, dor abdominal e diarreia. Este diagnóstico deve
sempre ser cuidadosamente pesquisado em pacientes que fazem o uso dessa
medicação.
Doses tóxicas de digoxina
podem acarretar graves arritmias, devido seu mecanismos de ação que age inibindo
a bomba Na+/K+ ATPase, e assim inibindo
o gradiente de concentração do processo de difusão facilitada Na+/Ca++, com
aumento de Ca++ intracelular. Os digitálicos podem ainda, através de um
estímulo vagal ou no nó aurículo-ventricular (AV), agir promovendo um efeito
cronotrópico negativo.
A arritmia é decorrente da
intoxicação, que pode ter sido causada pelo uso concomitante de furosemida,
fazendo uma depleção do potássio. Níveis elevados de digoxina aumentam o cálcio
intracelular que pode levar a arritmias pós-potenciais tardios. A intoxicação
pode cursar tanto com taquiarritmias como com bradiarritmias (devido ao predomínio
de um dos dois mecanismos de ação explicados acima), a taquicardia atrial pode
estar presente devido a um automatismo atrial criado pelo bloqueio AV.
Algumas das arritmias que podem
ser observadas no ECG são: taquicardia atrial, fibrilação atrial e flutter
atrial, bloqueio AV de segundo grau, taquicardia juncional, extrassístole
ventricular, taquicardia e fibrilação ventricular. Um achado frequente são as
alterações na repolarização que aparecem como inversão da onda T, comumente chamada
de onda T em colher de pedreiro.
Carolini Cristina Valle
Acadêmica de Medicina (4° ano)


